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1ª Página arrow Sociedade arrow A diáspora caboverdiana no espaço europeu
A diáspora caboverdiana no espaço europeu PDF Imprimir e-mail
A existência de uma numerosa comunidade caboverdiana em Roterdão esteve na origem de um grande encontro que envolveu as autoridades municipais desta cidade e de outras cidades europeias, autoridades caboverdianas e associações de imigrantes caboverdianos de vários países.

No que se refere à Área Metropolitana de Lisboa um dos factores determinantes para que a RDP-África passasse a ser também ouvida neste espaço foi a existência de uma importante comunidade africana, na sua maioria constituída por caboverdianos, o que permite um acesso permanente à informação do que se passa em Cabo Verde, mas permite, além disso, ter acesso aos novos lançamentos literários e musicais da África lusófona em geral, na qual os criadores caboverdianos têm um lugar de destaque.

3. Muitos imigrantes caboverdianos têm procurado tornar-se empresários, o que não é uma tarefa fácil na maior parte dos casos. De acordo com os resultados preliminares de um Inquérito aos Empresários de Origem Imigrante em Portugal promovido por Margarida Marques, Catarina Oliveira e Nuno Dias, Socinova e Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, apresentados no Conselho Económico Social, em Lisboa, no passado dia 4 de Dezembro de 2002, constata-se que num total de 142 empresários, que representam 20,2% dos empresários caboverdianos em Portugal, a origem do capital inicial foi em 112 casos poupança própria, em 19 casos a ajuda da família, sendo também um Banco Português em 27 casos. Na maioria são empresários da construção civil, a que se segue o comércio, hotelaria e restauração, a que correspondem respectivamente 64, 51 e 13 empresários. Quanto ao futuro os projectos empresariais apostam na sua maioria em investir em Cabo Verde, a que se segue diversificar negócios em Portugal, obter formação específica e investir noutras zonas de Portugal, a que correspondem respectivamente 60, 43, 22 e 18 empresários.

Tudo isto pode ter um progresso significativo e conhecer um salto qualitativo se a as associações de imigrantes da diáspora apostarem cada vez mais na formação profissional como estão a fazer algumas das associações de imigrantes caboverdianas em Portugal, aproveitando para o efeito os recursos financeiros disponíveis, com origem em Portugal ou na União Europeia.

Uma outra realidade mais directamente ligada à internacionalização das economias europeias, mas a que não é alheia o peso e o papel da diáspora caboverdiana, traduz-se na existência de um número crescente de consórcios constituídos entre empresários de diferentes nacionalidades europeias e empresários caboverdianos.

Jorge Macaísta Malheiros através da análise realizada, a que já nos referimos, constatou que o desenvolvimento de práticas transnacionais de grupos migrantes, ancoradas em estratégias de circulação de migrantes que possuem um suporte espacial múltiplo, acentua a sua acção de inovação nas metrópoles de destino (vide, op.cit. pp.583-584).



 
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