
| A diáspora caboverdiana no espaço europeu |
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Página 2 de 5 Os próprios projectos e dinâmicas que visam aprofundar a construção europeia têm fomentado a cooperação entre imigrantes caboverdianos residentes em diferentes países ao exigirem, por exemplo, parcerias que envolvam entidades localizadas em diferentes Estados-Membros. Ao estudar O Fenómeno Associativo em Contexto Migratório, Duas Décadas de Associativismo de Imigrantes em Portugal, Rosana Albuquerque, Lígia Évora e Telma Viegas concluíram que: “A tendência de globalização política que se vive actualmente ao nível do espaço político da União Europeia, torna-se também visível nas redes transnacionais que vão nascendo. Mas, onde essa influência se faz sentir com maior intensidade é ao nível dos projectos que essas associações desenvolvem no âmbito de programas europeus.” (Oeiras,ed.Celta,2000, p.68). Essas redes transnacionais têm sido potenciadas nos últimos anos pela existência de associações que dispõem de sítios na Internet,- para o que contribuiu decisivamente em Portugal o Projecto Pelas (Com As) Minorias no quadro do programa Cidades Digitais- e, em geral, pelas possibilidades abertas pelas novas tecnologias de informação. Há que ter presente, contudo, que todas estas redes padecem da debilidade de assentar cada vez mais em profissionais qualificados e menos em militantes como no passado e terem por isso um certo grau de dependência do volume de projectos e de subsídios de que possam vir a dispor nos próximos anos.2. A presença cultural de comunidades de imigrantes significativas em diversos Estados-membros da União Europeia produz uma contínua presença cultural caboverdiana, que se traduz não apenas em redes ligadas às próprias comunidades e que passam pela existência de empresários que procuram comerciar discos e livros, pela criação de restaurantes, discotecas e editoras discográficas que têm como alvo privilegiado, mas não exclusivo os caboverdianas, como também cria laços culturais diversificados com as sociedades de acolhimento. Não se trata apenas da existência de figuras culturais caboverdianas como Cesária Évora, mas do que é porventura mais significativo a incorporação nas diferentes culturas europeias do imaginário cultural caboverdiano. Para referir o que conheço melhor, recordo o bailado Mazurca de Fogo de Pina Bausch que o espanhol Pedro Almodóvar integrou no seu filme Fala Com Ela, que foi premiado como o melhor filme europeu. O mesmo se diga da influência em pintores portugueses como Graça Morais ou Júlio Resende, em escritores portugueses como Maria Isabel Barreno ou Maria Velho da Costa, ou em diferentes cineastas portugueses que realizaram filmes em Cabo Verde, adaptando, num dos casos um romance do escritor caboverdiano Germano de Almeida. Tem, por isso, razão Jorge Macaísta Malheiros que estudou, nomeadamente, a presença dos caboverdianos em Roterdão e na Área Metropolitana de Lisboa, quando afirma: “os imigrantes e os seus descendentes são elementos de inovação e internacionalização das metrópoles do centro”(vide, op. cit., p.580). Segundo o mesmo autor “os imigrantes e os seus descendentes contribuem para diversificar e densificar a rede de relações internacionais das cidades de destino, na medida em que, para além da própria circulação, transportando capitais, bens, informação e imagens, alargam o conhecimento recíproco e justificam o desenvolvimento de contactos que extravasam o âmbito do grupo, atingindo a população maioritária, as autoridades locais e mesmo o tecido empresarial, étnico ou não”(Ibidem, p.582). |








