
| Cabo Verde: Do seu achamento à Independência Nacional |
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Página 5 de 6 Durante o período de economia esclavagista, a Coroa limitou-se, por um lado, a monopolizar os principais produtos que constituíam fontes de rendimento e, por outro, a explorar apenas o que não exigia esforços em investimentos ou inovações técnicas. Além disso, as classes abastadas locais, pelo próprio facto da dominação colonial, não puderam reconverter-se numa classe de empresários capitalistas – nem no meio rural nem a nível industrial – capaz de inovações e transformações fundamentais. A ausência dessas inovações e o pouco trabalho de defesa e restauração dos solos, aliados à exploração forçada do homem e da natureza, conduziram, como consequência lógica, ao declínio da agricultura e da criação do gado. A revolução industrial viria assentar o golpe fatal aos produtos que fizeram enriquecer as classes abastadas de Cabo Verde e a Coroa portuguesa. Face à concorrência dos produtos industrializados de Europa, apenas sobreviveram a destilação de aguardente (em condições técnicas totalmente ultrapassadas) e a extracção do sal. Se as outras colónias portuguesas de África, sobretudo Angola e Moçambique24, apresentavam um potencial propício às novas funções que lhes seria atribuída no âmbito na nova divisão internacional do trabalho - fornecer matérias primas e/ou servir de escoamento para os produtos manufacturados portugueses- Cabo Verde enfrentava à partida um certo número de constrangimentos: a modicidade da sua superfície (4033 km2), uma população reduzida (147 424 habitantes em 190025), donde a estreiteza do seu mercado, a quase inexistência de produtos naturais minerais importantes. Na impossibilidade de incentivar o desenvolvimento de outras culturas alternativas de rentabilidade, dentro das nova repartição de funções, a Cabo Verde é reservado o papel de colónia de serviço e exportador de mão de obra contratual, forma nova de escravatura, essencialmente para as roças de São Tomé e Príncipe. Efectivamente, depois do envio compulsivo de caboverdianos para a Guiné Bissau em 176526, um século mais tarde foram promulgadas (em Dezembro de 1863), algumas leis que obrigavam os caboverdianos a ir trabalhar para as roças dos colonos de São Tomé e Príncipe. Só se pôs fim a essa emigração forçada, em 1970. Quanto à sorte do "serviçal" caboverdiano em São Tomé e Príncipe, ao fim de um período de três ou cinco anos de trabalho (renovável mas muito raramente renovado), voltava para Cabo Verde tão miserável como à partida. Ademais, regressava enfraquecido por causa das doenças, da diferença climática, do regime alimentar diferente, dos maus tratos, etc. De retorno ao país, trazia consigo, em geral, entre 1 000 e 3000 mil escudos que conseguiu economizar durante esse período27. A ideia de valorização de Cabo Verde como colónia de serviço assenta na importância que este arquipélago revestiu em relação ao comércio e à navegação de longo curso, desde os primórdios do comércio triangular de escravos. Como constataram Galvão e Selvagem (op. cit.), foi a sua situação geográfica que o tornou a escala ideal nas rotas atlânticas e que foi sempre, uma das suas mais extraordinárias riquezas. A sua localização privilegiada, era também a mais promissora. Para esses autores, na impossibilidade de equipar os quatro portos de que o arquipélago era dotado (por dificuldades financeiras), tudo encorajava a concentrar no porto de São Vicente "os esforços para valorizar a colónia como nó de comunicações atlânticas"28. Com a instalação no Porto Grande (S. Vicente) , pelo cônsul inglês John Rendall em 1838, do primeiro depósito de carvão, outras sociedades inglesas virão aí instalar-se provocando não só o aumento significativo do número das embarcações que demandavam os seus serviços mas também o desenvolvimento de outras actividades a nível interno, nomeadamente comerciais, que implicavam uma certa expansão do aparelho bancário, administrativo, bem como dos meios de armazenagem e de transporte. Em 1874, os ingleses foram autorizados a instalar cabos submarinos no Porto de São Vicente ligando-o à Madeira, à Europa, e ao Brasil. Sete anos depois, os cabos foram estendidos até à Praia, ligando-a igualmente à Europa e à África Oriental. Em 1923 a Itália foi ainda autorizada a instalar cabos submarinos em São Vicente, estendendo a sua ligação à América do Sul. Os cabos submarinos que asseguravam as ligações telefónicas, cuja exploração foi deixada às sociedades estrangeiras, apenas trouxeram "royalties" para Cabo Verde. |








