
| Cabo Verde: Do seu achamento à Independência Nacional |
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![]() As ilhas de Barlavento: Santo Antão (779 km), São Vicente (227 km), Santa Luzia (35 km) , São Nicolau (343 km), Sal (216 km) e Boavista (620 km), e os ilhéus Branco (3 km) e Raso (7 km). Localizado na zona sub-saheliana, o arquipélago é caracterizado por condições climáticas de aridez e semi-aridez. Conta com duas estações: a das chuvas ou das "aságuas" (muito irregulares) – de Agosto a Outubro – e a estação seca, ou o "tempo das brisas", que vai de Dezembro a Junho. Os meses de Julho a Novembro são considerados meses de transição. A penúria em água é uma constante. As secas são frequentes e pelo passado (até os finais dos anos 40), acarretavam frequentemente a fome que dizimava, por vezes, 10 a 30% dos seus habitantes. Pelo menos algumas das ilhas eram já conhecidas de populações africanas, gregos e geógrafos árabes, muito antes da chegada dos portugueses. Segundo Jaime Cortesão1, apesar das informações incompletas fornecidas por esses geógrafos, as ilhas eram conhecidas de alguns cartógrafos, "...nos mapas que acompanharam a obra de Idrisi, figuravam algumas das ilhas, uma das quais tinha o nome de Aulil: Alguns séculos mais tarde, o mapa mundo de Macias de Viladestes de 1413, que se encontra na Biblioteca Nacional de Paris, apresenta em frente do Rio do Ouro, claramente identificado como sendo o Nilo do Ghana, isto é, o Senegal, duas ilhas de tamanho e forma iguais, com o nome de Ilhas de Gaderi no mapa mundo de Andrea di Bianco de 1448. Estas mesmas ilhas aparecem de novo frente à costa entre o Senegal e Cabo Verde, com o nome de Dos Hermanos". Para esse historiador, eram as duas ilhas mais orientais do Arquipélago: Sal e Boavista conhecida como ilha das tartarugas. Admite-se, de modo geral, que as ilhas tenham sido encontradas pelos portugueses durante duas viagens sucessivas entre 1460 e 1462. Essas datas são conhecidas através dos seguintes documentos: O diploma de 3 de Dezembro de 1460 (vinte dias após a morte do Infante D. Henrique) que apenas faz referência às cinco primeiras do grupo ocidental: Sam Jacob (Santiago), Sam Filipe (Fogo), De las Mayes (Maio), Sam Christovam (Boavista) e Lana (Sal) que D. Afonso V doou a seu irmão D. Fernando. Admite-se igualmente, que as cinco primeiras tenham sido encontradas ainda em vida do Infante D. Henrique pois o diploma a que acima nos referimos as transfere para o Infante D. Fernando do mesmo modo que as tinha recebido aquele infante. Ainda segundo documento do Arquivo Histórico Ultramarino (Cabo Verde, Cx. 4), numa consulta do Conselho Ultramarino2, de 5 de Setembro de 1679 que se ocupava da celebração de missas "em sufrágio da alma de D. Henrique", refere-se a ele como "descobridor das ilhas de Cabo Verde". Quanto à identidade dos "descobridores", a maioria dos historiadores que versaram sobre esta questão – e estamos de acordo com eles - consideram que as cinco primeiras foram achadas por Antonio de Noli, genovês ao serviço do Infante D. Henrique e Diogo Gomes, navegador português, e as restantes por Diogo Afonso, escudeiro do Infante D. Fernando. Em contrapartida, discordamos da maioria que pretende que o Arquipélago era desabitado aquando do seu achamento. Como muitos outros – entre eles o António Carreira 3- somos de opinião que não se deve excluir a hipótese de Santiago ter abrigado um pequeno grupo de náufragos Jalofos ou outros habitantes (Sereres, Felupes, Lêbus, etc) de Cabo Verde (Senegal). Esses dois últimos grupos, reza a tradição oral, vinham às ilhas atraídos pela sua riqueza em peixe e buscar sal, na ilha do Sal, que trocavam por ouro de Tombuctu4. |









