
| De Baltasar Lopes, a Obra e o Homem |
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Página 5 de 7 Pode-se elaborar uma hipótese bastante especulativa, com a fi nalidade de desenvolver a anterior homologia José Lopes/Castilho, propondo outra do tipo Baltasar Lopes/Almeida Garrett. Apesar de arriscada, e do eventual toque no orgulho de uma individualidade crioula, não desagradaram a Baltazar Lopes os argumentos sobre similaridades factuais, incidentes no domínio da actividade de polígrafo que faz a síntese da formação clássica com a produção romântico-realista. Com a ressalva da heteronimia porque, se o português apenas ressuscitou “Garrett” do antecendente irlandês materno, o cabo-verdiano cindiu-se no poeta Osvaldo Alcântara, no contista e no ensaísta linguístico de juventude Baltazar Lopes e de maturidade Baltasar Lopes, extensível também ao romancista e ao cronista, e no linguista Baltasar Lopes da Silva onde perpassa a marca indelével de Leite de Vasconcellos (8). As circunstâncias terão feito de Garrett uma das almas possíveis do seu tempo, com ligação das suas artes à vida cultural erudita e às artes literárias do povo. Da vida cultural da Claridade, e do que poderá caber a Baltasar Lopes na vertebração possível da sua alma, pode-se dizer que pelo menos há alguma coincidência entre factos: no primeiro dos hiatos a considerar na vida da Claridade, a data de 1937 é contemporânea da partida de Baltasar Lopes para Portugal, quando se foi habilitar com o Estágio Pedagógico do Liceu Pedro Nunes, entre 1938 e 1940. Entretanto, quando docente no liceu de Leiria, 1940/41, ocorrem os eventos separadores das águas ideológicas entre Baltasar Lopes e o Estado Novo, que rejeita liminarmente a manutenção da sua candidatura ao lugar de Assistente da (sua) Faculdade de Letras de Lisboa, uma questão anedótica grave que tem ao menos o mérito da ironia. Pelo seu lado passivo, do mundo “afecto às letras”, concedeu a Baltasar Lopes o direito de figurar entre os proscritos do regime, reais ou em vias de o serem, como Agostinho da Silva, Rodrigues Lapa, etc., dado curricular que ainda está à espera de ser devidamente valorizado (9). Os efeitos activos são porém determinantes, por ter rejeitado logo depois o convite para leccionar numa Universidade brasileira, anti-evasionista de facto concreto que preferia defi nitivamente a humilhação na sua terra, carecida de todas as obras. E obra é, pouco depois, a Claridade no seu segundo ciclo que, por acaso(?), se reinicia (N.° 4) no ano de publicação de Chiquinho, 1947, entretanto renovada na sua tipografia, no elenco de colaboradores, e na generalidade e na diversidade de conteúdos ensaísticos e científi cos. |








