
| A cultura cabo-verdiana e as suas raízes etno-culturais |
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Página 9 de 60 Blackout literário No domínio da literatura, houve como que um blackout durante algum tempo após a independência. Acostumados ao tipo de literatura contestária, a independência e a consequente erradicação de situações, quiçá, de uma aparente falta de temas à escrita, até começaram a surgir alguns movimentos jovens e algumas revistas literárias com outras roupagens estilísticas e outras perspectivas literárias, nomeadamente, de entre outras: "Ponto & Vírgula", "Raízes", "Pré-Textos", "Djá d'Sal", "Artiletra", "Sopinha do Alfabeto" e "Fragmentos", esta dentro do Movimento Pró-Cultura, à volta dos quais se reuniam tanto os escritores da nova geração como os de gerações anteriores e que começaram a abordar temas mais universais e com alguma linguagem de vanguarda. ****Parágrafo por rever desde Acostumados**** Essa fase constitui, de facto, um momento de ruptura total com as temáticas e estéticas anteriores, sobressaindo-se, nesse contexto, uma diversidade de estilos, de temas e de ideologia, consentânea com a liberdade e abertura ao mundo que se vive hoje em dia em Cabo Verde. Relativamente às artes plásticas, convém falar aqui, essencialmente, da tecelagem e da pintura, que conheceram uma reviravolta de mais de 180 graus, em termos de criação e produção. No entanto, é importante frisar a revivificação que se observou na tecelagem, com a recuperação dos panos de terra (Panu Bitchu e Panu D'obra), bem como a aposta feita na tecelagem de tapeçarias artísticas com temáticas cabo-verdianas; do bátik e da forte aposta na cerâmica, que se desenvolveu extraordinariamente, passando da produção de objectos essencialmente utilitários para uma produção diversificada de objectos artísticos e ornamentais, com carácter de "souvenir". A escultura em madeira teve o seu momento áureo nessa época, com temas esclavagistas, revolucionários e da vivência quotidiana da população. Quanto à pintura, o que se pode dizer é que ela, na verdade, só ganhou contornos após a independência nacional, em que houve uma certa massificação e encorajamento, no sentido de se investir em tudo o que era cultura autóctone, tendo-se, por conseguinte, manifestado aí também a fase do grito de liberdade e de busca das raízes, na qual imperou a febre do nacionalismo revolucionário. |








