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1ª Página arrow Cultura arrow A cultura cabo-verdiana e as suas raízes etno-culturais
A cultura cabo-verdiana e as suas raízes etno-culturais PDF Imprimir e-mail

Mas a Tabanka é, sobretudo, uma agremiação, ou uma sociedade ritualista, com uma organização sólida à volta de um princípio de vida, donde a solidariedade, a entreajuda e coesão comunitárias se revelam como signos de uma sabedoria popular.

Falando agora dos Colá das várias ilhas, que, no fundo, são idênticos às Tabankas da Ilha de Santiago, é de se destacar que todos eles são festas consagradas aos santos patronos de determinadas localidades e que decorrem, normalmente, entre os meses de Maio e Julho, com maior ênfase em Junho...

Os Colá são manifestações e rituais populares, resultantes de um sincretismo religioso, que têm tambores e apitos como instrumentos musicais e que se fazem acompanhar de cânticos a solo e em coro, existindo, entretanto, algumas particularidades que os diferenciam. Enquanto os Colá de S.Vicente e de Sto.Antão se evidenciam por um toque mais frenético e acentuado, acompanhados sempre de dança encenada por quatro pessoas que se postam em forma de cruz, dando umbigadas (dois a dois, de forma rítmica e revezada), os colá das ilhas do Fogo e da Brava caracterizam-se pelo seu acentuado ritual à volta da confecção do repasto para a festa do dia santo, sendo então o repicar dos tambores acompanhado pelas batidas de paus no rebordo do pilão e pelo ritmo do pilar do milho, em casa do festeiro. Corridas e danças de cavalos ao ritmo dos tambores nos cortejos que se dirigem às Igrejas, constituem também particularidades destes dois Colás, que têm como símbolo uma bandeira, em contraponto aos barcos presentes nos Colá de S.Vicente e de Sto Antão.

Passemos agora uma vista de olhos à literatura cabo-verdiana, começando pelas tradições orais, ou poesia popular tradicional ( finason - cantiga de Batuku de Santiago - e Kurkutisan, ou Rodriga - cantiga repentista da ilha do Fogo), que constituem, de facto, um manancial fabuloso da oratura cabo-verdiana, sem paralelo nas outras ilhas, com excepção à poesia cantada em Mornas e Coladeiras, presentes em todas as ilhas.

Arte cultivada ao longo dos tempo, qual Griot africano, a literatura oral cabo-verdiana é profundamente metafísica e altamente poética, para além de ser humanística, retratando, nos seus dizeres, aspectos sociais, económicos, culturais e políticos dos tempos do colonial-fascismo. Constituindo o repositório de uma determinada memória histórica do arquipélago e da formação cabo-verdiana, é também uma densa e aliciante fonte de conhecimento dos hábitos, costumes e filosofia de vida da população.

A literatura escrita, por sua vez, pode ser dividida em três fases distintas: a Pré-claridosa, a Claridosa e a Pós-claridosa.


 
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