
| A cultura cabo-verdiana e as suas raízes etno-culturais |
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Página 3 de 60 O Funaná, que terá surgido, inicialmente, no meio rural da Ilha de Santiago, entretanto, possui um ritmo muito mais acelerado que o da Coladeira e mais próximo da África, sendo muito peculiar os instrumentos utilizados na sua execução - a Gaita ou Acordeão, de origem europeia, e o ferrinho (um ferro sobre o qual se faz deslizar um outro ferro ou uma faca, à semelhança de um reco-reco). Para além de possuir um ritmo frenético e electrizante, o Funaná possui também ritmos lentos e compassados, que são designados de Funaná-Samba e Funaná-Marcha , havendo ainda outros ritmos como o Funaná-Valsa, o Funaná-Maxixe, etc. A letra do Funaná retrata o quotidiano da população, a vivência ilhéu, os sentimentos e a filosofia do cabo-verdiano, constituindo também um meio de crítica e de ridicularização de comportamentos e atitudes. Todas essas músicas são, ao mesmo tempo, danças com um quê de erótico, sendo a Morna mais sensual e o Funaná mais lascivo. Das músicas e danças regionais são de se destacar o Batuku, típico da Ilha de Santiago, em cujo ritmo se manifesta a presença africana; a Tabanka, também típica de Santiago e próxima da África, e os Colá das ilhas de S.Vicente, Sto.Antão, Fogo e Brava, que são misturas de ritmos e manifestações artísticas africanos e europeus, para além de constituírem um exemplo vivo de um certo sincretismo religioso existente em Cabo Verde. O Batuku, que terá nascido praticamente com o Homem cabo-verdiano e que vem sendo praticado desde então, apesar da tentativa do regime colonial-fascista em silenciá-lo, é consagrado, geralmente, aos momentos especiais de festas ou ocasiões de muita alegria (como casamentos, baptizados, etc) e é já, em si, uma manifestação popular de liberdade, alegria e afã de viver. É, ao mesmo tempo, poesia, cântico, música e dança, com um ritmo eufórico e uma orquestração característica, em que os únicos sons melódicos são as vozes (a solo e coro), e o ritmo marcado com as mãos espalmadas em chumaços de pano, colocados entre as pernas das batucadeiras, ou pelo bater sincopado de palmas. Há sempre uma ou duas mulheres no terreiro (meio do círculo formado pelas batucadeiras) que dançam mexendo apenas os pés e as ancas, num mover, ora lento, ora frenético, estando as cinturas envoltas em panos apertados. Enquanto poesia, o Batuku é caracterizado por um determinado momento, em que não se dança e o canto, entoado por uma cantadeira, é muito elaborado e filosófico, apesar de, às vezes, ser improvisado, com referências à mundivivência e filosofia de vida da população. A Tabanka, por seu lado, é fruto de uma miscigenação étnica e cultural e produto de um sincretismo religioso. É uma manifestação popular de acentuado carácter festivo e de rua, que conjuga também cântico, música, dança e alegria, em procissões que se realizam em determinadas datas sagradas. Reunindo tambores e búzios, cornetas e apitos, um grupo de pessoas, vestidas de forma especial, sai em cortejo pelas ruas, marchando ou dançando ao compasso dos ritmos sincopados dos tambores, das cornetas e dos búzios, que são acompanhados de cântico e de coro. |








