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1ª Página arrow Cultura arrow A cultura cabo-verdiana e as suas raízes etno-culturais
A cultura cabo-verdiana e as suas raízes etno-culturais PDF Imprimir e-mail

É mister frisar aqui que a identidade e nação cabo-verdianas se consubstanciaram muito antes da independência do país (1975), remontando ao momento em que o crioulo, o primeiro elemento mestiço em Cabo Verde, ganhou maturidade, tornando-se a língua de comunicação do cabo-verdiano, ao mesmo tempo que a personalidade e consciência do Homem cabo-verdiano, com uma filosofia e maneira própria de estar e ver o mundo, se recrudescem irreversivelmente.

Para além do crioulo, que se originou do encontro da língua portuguesa e das várias línguas e dialectos africanos, a Culinária, a Música e a Dança, a Literatura e as Artes Plásticas se afirmaram também como signos e estigmas da tão propalada cabo-verdianidade, o que significa dizer, de uma identidade inconfundível.

País de emigrantes, a população cabo-verdiana fora das ilhas é quase o dobro da residente, mas, onde quer que esteja, o cabo-verdiano é facilmente identificado, por se comunicar entre si na sua língua materna; pela sua culinária, baseada em pratos típicos, sobretudo os confeccionados a partir do milho e do feijão ( catchupa, xerém, djagasida, cuscus,etc) e pela fé religiosa, música e dança.

No que concerne à música e à dança, pode dizer-se que elas são, de facto, ímpares e se encontram bem presentes no quotidiano cabo-verdiano.

Não havendo até agora estudos consequentes sobre a origem das músicas cabo-verdianas, avança-se, contudo, a hipótese de que elas teriam surgido dos lamentos dos escravos e das cantigas de trabalho no campo, e nos trapiches, onde desempenhavam as funções dos bois moendo cana sacarina para a confecção da aguardente e do mel.

Quase tantas quantas as ilhas são as músicas típicas cabo-verdianas. Sendo a maioria regional, convém falar aqui das nacionais e de algumas regionais, pelo peso que possuem enquanto manifestações culturais identitárias do povo cabo-verdiano.

Morna, Coladeira e Funaná são os três géneros musicais cabo-verdianos mais importantes e que corporizam também três formas diferentes de dança.

Com forte influência da música brasileira, principalmente, e da América Latina, em geral, a Morna e Coladeira, que terão originado da música portuguesa e africana (ou Árabe, segundo alguns), são músicas intimamente ligadas ao sentimento ilhéu e ao quotidiano arquipelágico. A primeira, de melodia suave e doce, assemelha-se muito ao Fado português, às baladas ou ao Blues, retratando, na sua poesia, a nostalgia, a saudade, o amor e a desdita, enquanto a Coladeira, já de ritmo mais acelerado, mais agitado, tende a aproximar-se do Samba, das modinhas brasileiras e do merengue, radiografando o quotidiano crioulo com uma certa mordacidade, chacota, folguedo e crítica.


 
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