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Um breve olhar sobre a cultura cabo-verdiana dir-nos-á, em primeiro lugar e fundamentalmente, que ela é mestiça, híbrida, assim como a população, língua e culinária de Cabo Verde.Alicerçada numa matriz tropicalista, mas também judaico-cristã e greco-latina, a cultura cabo-verdiana possui características singulares, polarizada em dois extremos, que lhe dão um cunho de universalidade. De facto, o ocidente e o sul, a Europa e a África encontram-se bem presentes na singularidade dessa cultura de homogénea diversidade. |
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Cabo Verde, ao longo da sua história, elaborou uma música tradicional de uma surpreendente vitalidade, recebendo, mesclando, transformando e recriando elementos de outras latitudes, que acabaram por dar origem a géneros fortemente caracterizados e enraizados no seu universo.Os ritmos assim nascidos traduzem toda a idiossincrasia deste povo e constituem, antes de mais, verdadeiras crónicas vivas e expressivas da sua vida, como companheiros de trabalho, exprimindo a alegria, a nostalgia, a esperança, o amor, a jocosidade, o apego à terra, os problemas existenciais bem como a própria natureza. |
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As festividades associadas aos Santos populares em Cabo Verde revestem-se de uma característica muito particular. Destacam-se as festas relacionadas com Santa Cruz, a 3 de Maio, Santo António, a 13 de Junho, São João Baptista, a 24 de Junho, e 5. Pedro, a 29 de Junho. A estas festividades religiosas estão associadas manifestações de rua, que realçam a mestiçagem da cultura criada pelo homem cabo-verdiano durante os cinco séculos de permanência no arquipélago. Nas ilhas de Santiago e Maio, e, principalmente, na primeira, as Tabancas constituem as manifestações mais típicas associadas a estes Santos. |
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"Não me doi meu particular.\ Peno cilícios da comunidade.\ Água dum rio doce, entrei no mar. (Miguel Torga, "Cântico do homem")I Quando se debruça sobre o conteúdo da poesia caboverdiana, em busca do seu valor real, duas fases, nitidamente distintas, se mostram evidentes: a anterior ao aparecimento da revista Claridade, e a que começa com este acontecimento literário. Tão distintas são essas duas fases, que Osório de Oliveira não hesita em afirmar: "só agora (isto é, com Claridade) se pode falar da Literatura Cabo-verdiana". |
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“Quando o descobridor chegou/ e saltou da proa do escaler varado na praia/ enterrando/ o pé direito/ na areia molhada// e se persignou/ receoso ainda e surpreso/ pensando n’EI-Rei/ nessa hora então/ nessa hora inicial/ começou a cumprir-se/ este destino ainda de todos nós.” Jorge Barbosa, Caderno de um ilhéu
“Assim,/ às vezes canto nem sei porquê.../ ...cantares que me saem da alma,/ longinquos/ relembrando um outro que eu fui e agora já não sou,/ mas que quero tornar a ser!” Pedro Corsino Azevedo, Claridade, N.º 1
“Eu não te quero mal/ por esse orgulho que tu trazes;/ Por êste ar de triunfo iluminado/ com que voltas.../ ...O mundo não é maior de que a pupila dos teus olhos:/ tem a grandeza/ da tua inquietação e da tua revolta.” Manuel Lopes, Claridade, N.º 3
“Mamãizinha [...] / Eu sinto/ para além da tua epiderme de jambo dourado/ o lirismo antigo da minha raça/ crucifi cada/ na encruzilhada/de duas sensibilidades...” Osvaldo Alcântara, Claridade, N.º 2 |
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